Você reparou que seu salário líquido aumentou um pouco desde fevereiro deste ano, mesmo sem receber reajuste? Para milhões de brasileiros, isso não foi coincidência. Uma mudança na legislação do Imposto de Renda ampliou a faixa de isenção, e o efeito já está aparecendo direto no contracheque.

Neste guia, você vai entender o que mudou de verdade, quem ficou isento, quem tem direito a desconto parcial, e como isso afeta seu planejamento financeiro ao longo do ano.

O Que Mudou de Verdade na Lei

A Lei 15.270/2025 foi sancionada em novembro de 2025 e entrou em vigor em 1º de janeiro de 2026. A principal mudança é a ampliação da faixa de isenção total do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5.000 por mês. Antes dessa lei, a faixa de isenção era consideravelmente menor, o que fazia com que muito mais trabalhadores pagassem imposto sobre uma fatia maior do salário.

Os efeitos começaram a aparecer nos salários pagos a partir de fevereiro de 2026, quando as empresas passaram a aplicar as novas regras de retenção diretamente na folha de pagamento. Segundo estimativas divulgadas pelo governo federal, cerca de 16 milhões de brasileiros passaram a ser beneficiados pela nova estrutura de tributação.

Quem Ficou Isento e Quem Tem Desconto Parcial

Faixa de renda mensalSituação
Até R$ 5.000,00 Isenção total do Imposto de Renda
De R$ 5.000,01 até R$ 7.350,00 Desconto progressivo, que reduz o imposto de forma gradual
Acima de R$ 7.350,00 Tabela progressiva tradicional, sem o redutor adicional
Acima de R$ 600 mil por ano Tributação mínima adicional para altas rendas

Para quem está na faixa intermediária, entre R$ 5.000,01 e R$ 7.350,00, o desconto é calculado por uma fórmula específica prevista na lei: o valor do desconto equivale a R$ 978,62 menos o resultado de 0,133145 multiplicado pelo rendimento mensal. Quanto mais próximo de R$ 5.000, maior o desconto proporcional; quanto mais próximo de R$ 7.350, o desconto se aproxima de zero.

As três faixas da nova regra de isenção

Até R$ 5.000 Isenção total R$ 5.000 a R$ 7.350 Desconto progressivo Acima de R$ 7.350 Tabela tradicional

Quanto maior a renda, menor o benefício proporcional da nova regra, até desaparecer acima de R$ 7.350.

Fonte externa sugerida: Receita Federal e Ministério da Fazenda, páginas oficiais sobre a Lei 15.270/2025 e a tabela progressiva do Imposto de Renda 2026.

Um Exemplo Prático de Como o Desconto Funciona

Imagine alguém com salário bruto de R$ 5.800 por mês, sem dependentes. Como esse valor está na faixa intermediária, entre R$ 5.000,01 e R$ 7.350,00, o desconto adicional previsto na lei é calculado assim: R$ 978,62 menos (0,133145 multiplicado por R$ 5.800), o que resulta em um desconto de aproximadamente R$ 206 aplicado sobre o cálculo do imposto devido naquele mês.

Já quem recebe R$ 5.500 por mês tem direito a um desconto um pouco maior, de aproximadamente R$ 246, justamente por estar mais próximo do início da faixa intermediária. Esse mecanismo evita uma transição brusca entre quem está isento e quem paga a alíquota cheia.

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Outras Mudanças Trazidas Pela Mesma Lei

O Que Fazer com o Aumento no Salário Líquido

Se o seu salário líquido aumentou por causa dessa mudança, vale tratar esse valor extra com intenção, não deixar ele se diluir no orçamento sem perceber. Direcionar esse ganho para reforçar a reserva de emergência, acelerar a quitação de uma dívida cara, ou aumentar um aporte de investimento já em andamento costuma gerar resultado mais duradouro do que simplesmente absorver o valor no consumo do dia a dia.

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Perguntas frequentes

Quem ganha até R$ 5.000 por mês precisa fazer alguma coisa para ficar isento?

Não. A isenção é aplicada automaticamente pelo empregador no cálculo do IRRF na folha de pagamento, desde os salários pagos a partir de fevereiro de 2026. Não é necessário nenhum pedido ou cadastro adicional para ter esse desconto.

Quem ganha entre R$ 5.000 e R$ 7.350 fica totalmente isento?

Não totalmente. Essa faixa tem direito a um desconto progressivo que reduz o imposto devido, mas não zera ele por completo. Quanto mais próximo de R$ 5.000, maior o desconto proporcional; quanto mais próximo de R$ 7.350, menor o desconto.

A nova regra vale também para autônomos e profissionais liberais?

Vale. Autônomos que recolhem o Imposto de Renda via Carnê-Leão seguem a mesma tabela progressiva mensal de 2026, com o mesmo mecanismo de desconto para quem se enquadra nas faixas de isenção ou desconto progressivo.

Essa mudança afeta a declaração de Imposto de Renda que já foi entregue em 2026?

Não. A declaração entregue entre março e maio de 2026 se refere aos rendimentos recebidos em 2025, sob as regras antigas. A nova faixa de isenção vale para os rendimentos recebidos ao longo de 2026, que serão declarados apenas em 2027.

Quem ganha muito acima de R$ 7.350 também foi afetado pela lei?

Sim, mas de forma diferente. A lei também criou uma tributação mínima para quem recebe mais de R$ 600 mil por ano e uma tributação de 10% sobre lucros e dividendos que ultrapassam R$ 50 mil mensais, afetando principalmente contribuintes de renda muito alta.

A nova faixa de isenção do Imposto de Renda é uma das mudanças tributárias mais relevantes dos últimos anos para quem recebe entre um e sete salários mínimos. Confira seu contracheque deste mês e veja se o desconto já está sendo aplicado corretamente.